Santíssima
Trindade:
O
mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã.
Deus se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Foi Nosso Senhor Jesus Cristo
quem nos revelou este mistério. Ele falou do Pai, do Espírito Santo e d’Ele mesmo
como Deus.
Santo
Agostinho (430) dizia que: “O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte
primeira e, pela doação eterna deste último ao Filho, do Pai e do Filho em
comunhão” (A Trindade, 15,26,47).
1. A revelação do Deus
uno e trino:
“O
mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Os
cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo"
(Compêndio, 44). Toda a vida de Jesus é revelação de Deus Uno e Trino: na
anunciação, no nascimento, no episódio de sua perda e encontro no Templo quando
tinha doze anos, em sua morte e ressurreição, Jesus se revela como Filho de
Deus de uma forma nova com relação à filiação conhecida por Israel. No início
de sua vida pública, também no momento de seu batismo, o próprio Pai testemunha
ao mundo que Cristo é o Filho Amado (cf. Mt 3, 13-17 e par.) e o Espírito desce
sobre Ele em forma de pomba. A esta primeira revelação explícita da Trindade
corresponde à manifestação paralela na Transfiguração, que introduz o mistério
Pascal (cf. Mt 17, 1- 5 e par.). Finalmente, ao despedir-se de seus discípulos,
Jesus os envia a batizar em nome das três Pessoas divinas, para que seja
comunicada a todo o mundo a vida eterna do Pai, do Filho e do Espírito Santo
(cf. Mt 28, 19).
No
Antigo Testamento, Deus havia revelado sua unicidade e seu amor para com o povo
eleito: Javé era como um Pai. Mas depois de haver falado muitas vezes por meio
dos profetas, Deus falou por meio de seu Filho (cf. Hb 1, 1-2), revelando que
Javé não é apenas como um Pai, mas que é Pai (cf. Compêndio, 46). Jesus se
dirige a Ele em sua oração com o termo aramaico Abba, usado pelos meninos
israelitas para se dirigirem ao próprio pai (cf. Mc 14, 36), e distingue sempre
sua filiação daquela dos discípulos.
Em
Cristo, Deus abre e entrega sua intimidade, que seria inacessível ao homem pelas
próprias forças somente. Esta mesma revelação é um ato de amor, porque o Deus
pessoal do Antigo Testamento abre livremente seu coração e o Unigênito do Pai
sai ao nosso encontro, para fazer-se uma só coisa conosco e levar-nos de volta
ao Pai (cf. Jo 1, 18).
2 – A Trindade em Si
mesma (Imanente).
De
fato, os nomes revelados das três Pessoas divinas exigem que se pense em Deus
como o proceder eterno do Filho do Pai e, na mútua relação – também eterna –
do Amor que “sai do Pai" (Jo 15, 26) e “toma do Filho" (Jo
16,14), que é o Espírito Santo. A Revelação nos fala, assim, de duas
processões em Deus: a geração do Verbo (cf. Jo 17.6) e a processão do
Espírito Santo.
O
Símbolo Niceno-Constantinopolitano o expressa com a fórmula “Deus de Deus, Luz
de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro". O fato é que o Pai gera o
Filho, doando-se a Ele, entregando-Lhe Sua substância e Sua natureza; não em
parte como acontece com a geração humana, mas perfeita e infinitamente.
O
mesmo pode ser dito acerca do Espírito Santo, que procede como o Amor do Pai e
do Filho. Procede de ambos, porque é o dom eterno e incriado que o Pai entrega
ao Filho, gerando-o, e que o Filho devolve ao Pai como resposta a Seu Amor.
Este dom é dom de si, porque o Pai gera o Filho comunicando-lhe total e
perfeitamente seu próprio Ser mediante seu Espírito. A terceira Pessoa é,
portanto, o Amor mútuo entre o Pai e o Filho.
3 - A Trindade Econômica
(na economia da Salvação):
DEUS PAI –
Não foi criado e nem gerado. É o “princípio e o fim, princípio sem
princípio”; por si só, é Princípio de
Vida, de quem tudo procede; possui
absoluta comunhão com o Filho e com o Espírito Santo. Atribui-se ao Pai a Criação do mundo.
DEUS FILHO –
Procede eternamente do Pai, por quem foi gerado, não criado. Gerado pelo Pai
porque assumiu no tempo Sua natureza humana, para nossa Salvação. É Ele Eterno
e consubstancial ao Pai (da mesma natureza e substância). Atribui-se ao Filho a
Redenção do Mundo.
DEUS ESPÍRITO SANTO
– Procede do Pai e do Filho; é como uma expiração, sopro de amor consubstancial
entre o Pai e o Filho; pode-se dizer que
Deus em sua vida íntima é amor, que se personaliza no Espírito Santo.
Manifestou-se primeiramente no Batismo e na Transfiguração de Jesus; depois no dia de Pentecostes sobre os
discípulos. Habita nos corações dos fiéis com o dom da caridade. Atribui-se ao
Espírito Santo a Santificação do mundo.
O
Pai é pura Paternidade, o filho é pura Filiação e o Espírito Santo, puro nexo
de Amor. São relações subsistentes, que em virtude de seu impulso vital, saem
um ao encontro do outro em perfeita comunhão, onde a totalidade da Pessoa está aberta à outra
distintamente.
4 – Unidade da Trindade:
Só
existe um Deus, mas n’Ele há três Pessoas divinas distintas: Pai, Filho e
Espírito Santo. Não pode haver mais que um Deus, pois este é absoluto. Se
houvesse dois deuses, um deles seria menor que o outro, e Deus não pode ser
menor que outro, pois não seria Deus.
A
Trindade é Una. Não professamos três deuses, mas um só Deus em três Pessoas: A
Trindade consubstancial (II Conc. Constantinopla, DS 421). O Pai é aquilo que é
o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, o Espírito Santo é aquilo que são o Pai
e o Filho, isto é, um só Deus por natureza (XI Conc. Toledo, em 675, DS 530).
Cada uma das três pessoas é esta realidade, isto é, a substância, a essência ou
a natureza divina (IV Conc. Latrão, em 1215, DS 804).
A
Igreja ensina que as Pessoas divinas são relativas umas às outras. Por não
dividir a unidade divina, a distinção real das Pessoas entre si reside
unicamente nas relações que as referem umas às outras:
Nos
nomes relativos das Pessoas, o Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o
Espírito Santo aos dois; quando se fala destas três Pessoas, considerando as relações,
crê-se todavia em uma só natureza ou substância” (XI Conc. Toledo, DS 675).
Tudo é uno [n’Eles] lá onde não se encontra a oposição de relação” (Conc.
Florença, em 1442, DS 1330). Por causa desta unidade, o Pai está todo inteiro
no Filho, todo inteiro no Espírito Santo; o Filho está todo inteiro no Pai,
todo inteiro no Espírito Santo; o Espírito Santo, todo inteiro no Pai, todo
inteiro no Filho (Conc. Florença, em 1442, DS 1331).
O
primeiro Catecismo, chamado “Didaqué”, do ano 90 dizia:
“No
que diz respeito ao Batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito
Santo em água corrente. Se não houver água corrente, batizai em outra água; se
não puder batizar em água fria, façais com água quente. Na falta de uma ou
outra, derramai três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo” (Didaqué 7,1-3).
Santo
Agostinho concluiu que a mente humana é extremante limitada para poder
assimilar a dimensão de Deus e, por mais que se esforce, jamais poderá entender
esta grandeza por suas próprias forças ou por seu raciocínio. Só o
compreenderemos plenamente, na eternidade, quando nos encontrarmos no céu com o
Pai, o Filho e o Espírito Santo.
O Credo Niceno-Constantinopolitano
Creio em um só
Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do céu e
da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis
Creio em um só
Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os
séculos:
Luz da Luz, Deus
verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as
coisas foram feitas.
E, por nós,
homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: e encarnou pelo Espírito
Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.
Também por nós foi
crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao
terceiro dia, conforme as escrituras;
E subiu aos céus, onde
está sentado à direita do Pai.
E de novo há de
vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá
fim.
Creio no Espírito
† Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai; e com o Pai e o Filho é
adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas.
Creio na Igreja Una
†, Santa, Católica e Apostólica.
Professo um só
batismo, para remissão dos pecados.
Espero a
ressurreição dos mortos;
E a vida do mundo
que há de vir. Amém.
Bibliografia:
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