sábado, 11 de junho de 2016

Para entender as inquisições



As Inquisições
A palavra Inquisição vem do termo latino inquisitio, que quer dizer "investigação". Trata-se de uma instituição da Igreja Católica, criada para julgar católicos suspeitos de pecados contra a fé (heresias).
Podemos distinguir ao menos três inquisições:
1) A Inquisição Medieval, voltada contra as heresias cátara e valdense nos séculos XII/XIII e contra falsos misticismos nos séculos XIV/XV;
2) A Inquisição Espanhola, instituída em 1478 por iniciativa dos reis Fernando e Isabel; visando principalmente aos judeus e muçulmanos, tornou-se poderoso instrumento do absolutismo dos monarcas espanhóis até o século XIX, a ponto de quase não poder ser considerada instituição eclesiástica (não raro a lnquisição Espanhola procedeu independentemente de Roma, resistindo à intervenção da Santa Sé, porque o rei de Espanha a esta se opunha);
3) A lnquisição Romana (também dita “o Santo Ofício”), instituída em 1542 pelo Papa Paulo III, em vista do surto do protestantismo.[1]

Contexto social. – Na Idade Média, a religião não era uma realidade privada, como encara hoje a modernidade. Quando caiu o Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., e os povos bárbaros invadiram a Europa, a Igreja Católica foi a única instituição a conservar o patrimônio da Antiguidade e manter-se de pé.
Na idade Média tudo era “por Deus” e “para Deus”: a música, a arte a escultura, a luta a Catedral, a universidade... tudo. O homem medieval não separava uma realidade da outra como hoje se faz pois tinha plena consciência do desiquilíbrio que surgiria se uma ficasse sem a outra. [2]
Nos doze primeiros séculos de cristianismo a Igreja aplicava somente penas espirituais contra os hereges e cismáticos, principalmente a excomunhão; não pensava em usar a força. A mentalidade era essa: se a religião é espiritual, suas ações também devem ser espirituais. [3]

A ameaça cátara
A heresia cátara nos séculos X em diante começou a ameaçar a Europa, para os cátaros tudo que é material é mal (comida, sexo, bens), e eles ainda proibiam os juramentos, que era a base da sociedade feudal da época, e para piorar estavam dentro da estrutura da igreja, passando-se por católicos.
Eles não acreditavam nos sacramentos da Igreja. Os cátaros possuíam apenas um sacramento que se podia receber apenas uma vez na vida, o consolamentum, e após o receberem, geralmente no final da vida, optavam pela prática da endura.[4]
A reação da sociedade civil – Em 1022, o rei Roberto, o Piedoso († 1031), queimou na fogueira doze cônegos de Orleans adeptos da heresia cátara. Um deles era confessor da rainha e a tinha aconselhado a abster-se dos atos conjugais com o seu marido.
Uma fonte primária relata que, em 1114, feitos alguns prisioneiros na região de Soissons, na França, os bispos se reuniram para decidir o que fazer com relação aos hereges. Enquanto a reunião dos bispos acontecia em Beauvais, no entanto, o povo decidiu fazer justiça com as próprias mãos, invadiram a prisão e queimaram na fogueira os presos, sem qualquer julgamento.
Casos como esse se multiplicaram pela Europa o que tornou necessária uma intervenção da igreja para que a situação não saísse do controle.
Antes que a Inquisição pontifícia fosse finalmente criada, os Papas tentaram de vários modos solucionar a questão: primeiro, enviando pregadores às regiões mais problemáticas, a fim de dissuadir os hereges e convertê-los; depois, por meio da Cruzada Albigense, porém sem sucesso.
Início da inquisição pontifícia ou medieval século XIII, ano 1231.
Avanço jurídico:
Considerando a cultura da época e os meios utilizados no processo penal, se é que se pode dizer que existia um processo penal, percebe-se que a instituição da inquisição representou importante avanço jurídico para a época.
Muitos inventavam uma razão religiosa para seus crimes ou alegavam blasfêmias e pediam para ser julgados pela Igreja.
Os inquisitores eram sacerdotes experientes e conhecedores do direito, seguiam um regulamento, buscavam evidencias daquilo que era alegado não acreditando facilmente naquilo que lhe falavam, nem mesmo nas confissões.
Onde quer que fosse implantada, a fama da Inquisição era a de ser um tribunal prudente e moderado, sendo que, muitas vezes, a instituição era inclusive criticada, pelos nobres e pelo povo, por sua excessiva brandura e complacência.
Método utilizado:
Os inquisidores procediam da seguinte forma: ao chegar a uma região, proclamavam um "tempo de graça" e ficavam ali por vários dias, expondo às pessoas a fé católica.
Nesse período, aconteciam várias conversões, já que muitos dos inquisidores, formados na escola dominicana, pregavam com sabedoria e eloquência.
Colocado diante da verdadeira fé, um grande número de pessoas se apresentava aos frades, assumia os seus erros, pedia uma penitência e voltava para o seio da Igreja. 
 Bernardo Guy, por exemplo, dos mil casos que julgou, só proferiu 40 condenações, das quais muitas se reduziam a penitências.
Geralmente, eram entregues ao poder civil e condenados à pena capital somente os reincidentes, isto é, pessoas que voltavam à heresia, mesmo depois de um tempo de penitência.
Muitos ainda eram julgados em contumácia, ou seja, sem a presença do Réu que por vezes fugia. Em seu lugar eram queimados bonecos.
A Inquisição Espanhola
A inquisição espanhola se desenvolveu durante a auge do império espanhol, por volta dos séculos XV a XVII quando a Espanha era o maior reino da Europa, se estendendo inclusive para a a América, seu principal foco era lidar com as falsas conversões vindas do judaísmo.
Em 350 anos da Inquisição espanhola o número de execuções foi entre 3 e 5 mil pessoas. No mesmo período em torno de 150.000 supostas bruxas foram queimadas em tribunais civis da Europa
A inquisição espanhola proclamou como ilusória as acusações de bruxaria.
Com o fim da ditadura de Francisco Franco († 1975) na Espanha e a abertura dos arquivos do Estado espanhol, iniciou-se um processo de redescoberta da Inquisição, a partir de suas fontes primárias. Autores como Edward Peters e Henry Kamen, saíram em busca de documentos originais e chegaram à conclusão de que os tribunais da Inquisição – seja a medieval, seja a espanhola, ainda que esta mereça alguns pontos de interrogação – evitaram milhares de mortes. 

Julgamentos famosos da Inquisição

Santa Joana d'Arc – Processo declarado nulo pelo próprio Papa da época, havia sido realizado por um bispo aliado dos ingleses no contexto da guerra dos cem anos na França.
Galileu Galilei - Heliocentrismo - fenômeno das marés- O argumento definitivo que comprovou a teoria heliocêntrica – pelo menos em sua afirmação de que a Terra girava em torno do Sol – só surgiu 150 anos depois de Galileu.
O Mito da Inquisição.
Uma lenda criada por protestantes... – O mito da Inquisição surgiu com o protestantismo. No afã de dar uma origem mais antiga à sua recém-inventada religião, Martinho Lutero († 1546), João Calvino († 1564) e os reformadores e historiadores protestantes subsequentes começaram a recontar a história do cristianismo colocando-se como vítima perseguida ao longo da história.
A lenda que surgia difundiu-se por meio de operas, peças teatrais e pela recém-nascida impressa gráfica sendo endossada pelos inimigos da Coroa Espanhola.
Aperfeiçoada pelos iluministas. – Nos anos 1700, a lenda se aperfeiçoou com a ascensão do Iluminismo. O filósofo francês Voltaire († 1778), famoso por seu ódio ao catolicismo, foi também grande propagador da lenda negra relacionada à Inquisição.
Grande parte de seus esforços se concentrava em destruir a imagem da Igreja, do Papa e da monarquia francesa, preparando o terreno para a Revolução de 1789.
Sobre a tortura:
“A tortura era usada, normalmente como um último recurso e aplicada em apenas uma minoria dos casos. Muitas vezes, o acusado era apenas colocado em conspectu tormentorum, quando a visão dos instrumentos de tortura já provocava uma confissão. Confissões obtidas sob tortura não eram aceitas como válidas, porque elas obviamente tinham sido obtidas por pressão. Era, portanto, essencial para o acusado ratificar sua confissão no dia seguinte à provação.” (Spanish Inquisition: A Historical Revision Pg. 188)
A Inquisição foi o primeiro tribunal do mundo a afirmar que uma confissão sobre tortura não era válida.
A perseguição aos Cristãos
Nos primeiros séculos a era cristã, até o ano 313 estimasse que 100 mil cristãos foram martirizados por sua fé[5] seja por crucificações ou por meio de espetáculos no coliseu onde os cristãos eram dados de alimento aos leões.
São inúmeros os mártires daquele tempo, alguns bem conhecidos de nós, como São Sebastião e São Policarpo (+156)[6]
No século VI perseguição na Península Arábica promovida pelo Rei Judeu do Himiar (Iêmem), resultando em 20 mil mortes[7].
Perseguição no México que resultou na guerra dos Cristeros, onde os católicos tiveram de pegar em armas para resistir à perseguição do estado.[8]
Os nazistas na Alemanha do século XX perseguiu a Igreja, mandou padres para campos de concentração e tinha plano para sequestrar o Papa Pio XII. [9]
A Cristofobia mata mais de 100 mil cristãos todos os anos em variados países, desde a Índia, Nigéria, países africanos e no Oriente Médio.[10]
Até junho de 2015 220 mil cristãos haviam sido mortos pelos mulçumanos na guerra da Síria, 20 mil estavam desaparecidos e um milhão haviam sido feridos.[11]
O CUMUNISMO:
Ferrenho inimigo da Igreja o comunismo\socialismo onde é implantado promove massacre contra a Igreja, os cristãos e demais opositores do regime levando à mortes mais de 120 milhões de pessoas no século XX.
Na Correia do Norte ainda existem entre 80 mil a 120 mil pessoas em campos de concentração, locais onde crianças são dadas em prêmio para cães.[12]
Na Roménia nos anos 50, cerca 180.000 católicos foram presos pelos comunistas, padres e seminaristas eram “batizados” todas as manhãs com baldes de urina e fezes[13]
OS MUÇULMANOS:
Desde seu surgimento o islamismo se propaga pela força militar e não aceita oposição alguma de outras religiões.
O seu livro sagrado diz pelo menos 18 vezes que os infiéis devem ser mortos, e cumula de promessa que os faz, e para piorar acreditam que o texto foi ditado pelo próprio Anjo Gabriel à Maomé o que impede uma interpretação espiritual daquelas escrituras.
Conclusão:
A verdade é que o mundo odeia Cristo, e lógico, se o mundo odeia Jesus Cristo, logicamente também odiará Sua Igreja, e usará de todos os meios para destruí-la. Mas Jesus já previa isso, por isso disse: E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Mt 16,18
“Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós.” João 15, 18
“No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.” João 16, 33
A Inquisição protestante:
Lutero em 1525 escreve aos nobres : "Matem quantos camponeses puderem: Tomem, pegue, degolem quem puder. Feliz serão se morrermos unidos e morrer em obediência a Palavra Divina." nesta época mais de 100.000 Lavradores camponeses pereceram.
Na Alemanha de Lutero foram queimadas mais de 100.000 bruxas. Até crianças de até 7 anos e anciões moribundos não eram poupados. Um juiz protestante sozinho condenou a morte em 16 anos 800 bruxas (Uma média de 50 por ano)[14]
Quantos aos camponeses que se negavam ao protestantismo estimasse que ao menos 30 mil foram mortos.[15]
No dia 6 de maio de 1527, quando saquearam Roma cerca de quarenta mil homens espalharam na Cidade Eterna o terror, a violência e a morte. Eram seis mil espanhóis, quatorze mil italianos e vinte mil alemães. Quase todos luteranos, esses últimos, indivíduos perversos, gananciosos, desprovidos de qualquer escrúpulo.[16]

Referências:
Livro: Para Entender a Inquisição. Felipe Reinaldo Queiroz de Aquino.
O mito dos instrumentos de tortura atribuídos à inquisição.
A lenda negra da Inquisição
O Mito da Inquisição Espanhola - (LEGENDADO).



[2] Aquino, Felipe Reinaldo Queiroz de. Para Entender a Inquisição. 8ª ed. Lorena: Cléofas , 2014, pg. 32.
[3] Idem pg. 51
[4] A prática da endura consistia-se em após receber o consolamentum abster-se de tudo o que é material, inclusive água e comida, o que geralmente levava a morte. Fonte: https://it.wikipedia.org/wiki/Endura

A Igreja Católica Apostólica Romana



A Igreja Católica Apostólica Romana:
Formação da Igreja:
O Igreja Católica Apostólica Romana tem como seu fundador o próprio Jesus Cristo, que fundou uma, e somente uma Igreja, está verdade que está muito claramente nos Santos Evangelhos, visto que todas as vezes que Jesus se referiu à sua Igreja, usou o singular. “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.(Mt. 16,18); “quem não ouve a Igreja seja tido por gentio e publicano” (Mt. 18,17), isto é, pecador público.[1]
Também os outros livros do Novo Testamento usam apenas o singular para falar da Igreja. Assim S. Paulo várias vezes fala do “Corpo de Cristo que é a Igreja” (Col. 1,24; 1,18); da Igreja como sendo “a Igreja do Deus Vivo” (I Tim. 3,15); e que “a Igreja é amada por Cristo” como Esposa. (Ef. 5,25 e 29) O uso do plural só se encontra nas Epístolas, e indica “as igrejas” como comunidades locais, o que hoje denominamos dioceses.
Lado outro a própria atitude de Jesus, ao reunir ao seu redor os Apóstolos, fato que não se deu com nenhum profeta do velho testamento, e confiar-lhe diversas missões[2] demostram a clara intenção de Jesus de se colocar o vinho novo (a plenitude da revelação ou nova aliança) em odre novo, ou seja, a sua Igreja.
Outra maneira de a Bíblia dizer que a Igreja de Cristo é única é afirmar: “há um só Senhor, uma só fé, e um só batismo” (Ef. 4,5), e, portanto, uma só é a Religião e Igreja desse único Deus e Senhor. Assim, fora desta única Igreja não pode achar salvação quem tem meios e condições de conhecê-la. E conhecendo-a, tem obrigação de pertencer-lhe, porque é necessária para a salvação.
Igreja de Cristo é apenas a Igreja Católica, e isto é fato bíblico e histórico comprovado, lembremos que Jesus mesmo garantiu a perpetuidade de sua Igreja no mundo “todos os dias até o fim dos séculos”(Mt. 28,20); e a sua invencibilidade contra as forças infernais do maligno, seus seguidores e seus erros: “As portas do inferno não prevalecerão contra Ela”. (Mt. 16,18)
E mais, historicamente é a única Igreja que vem desde os Apóstolos, os quais foram também constituídos por Cristo, em certa medida, seus “fundamentos”. Sobretudo São Pedro (Mt. 16,18), o qual, na pessoa de seus sucessores, foi feito fundamento visível da Igreja nesse mundo e princípio de unidade. Para isso, mudou-lhe o nome de Simão para Pedro (como o Pai havia feito com Abraão quando o destinou para iniciar a antiga aliança). Jesus, porém, é e será sempre o seu fundamento principal, a “Pedra Angular”. (Ef. 2,19-20) A referência à Igreja, nesse texto chamada “Família de Deus”, é patente. (Ef. 2,19).
A Igreja Católica é, pois, Apostólica. Foram os Apóstolos que a estabeleceram por toda a parte, conforme a ordem e missão que Jesus lhes deu: “Ide, pois, e pregai o Evangelho a toda criatura”; “…a todas as nações”. (Mc. 16,15; Mt 28,19) A Igreja é, pois, a continuadora da obra salvífica de Cristo no mundo em todos os tempos até o fim dos séculos. (Mt. 28,20) E Ela tem realizado essa divina missão, não obstante as guerras que Lhe movem o Demônio e os seus aliados, promovendo heresias, seitas e falsas religiões que a Ela se opõem, e sempre A combateram.
Da morte de Jesus até o ano 313, quando do Édito de Milão, de Constantino, a igreja cresceu sobre forte perseguição do Império Romano, com o édito a Igreja adquiriu a liberdade para a agir e se fortaleceu.
Sucessão Apostólica:
A Igreja conserva uma linha ininterrupta de sucessores dos Apóstolos, especialmente a cátedra de Pedro, são até o presente 266 Papas, iniciando-se por São Pedro, Lino, Cleto.... Até chegarmos ao Papa Francisco, eleito em 13 de março de 2013. Não houve tempo na história em que está sucessão tenha sido interrompida, pois as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Os Dogmas da fé Católica: Apresentamos abaixo a lista dos dogmas da Igreja Católica, com sua respectiva breve descrição, organizados em suas categorias:
Dogmas sobre Deus:
1 – A Existência de Deus:
2 – A Existência de Deus como Objeto de Fé: A existência de Deus, porém, não é apenas objeto do conhecimento da razão natural, mas também e principalmente é objeto da fé sobrenatural.
3 – A Unidade de Deus: Não existe mais que um único Deus.
4 – Deus é Eterno: Deus não tem princípio nem fim, está além do espaço e do tempo como somos capazes de experimentá-los e concebê-los.
5 – A Santíssima Trindade: No Deus Uno há três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Cada uma possui a imutável Essência Divina.
Dogmas sobre Jesus Cristo:
6 – Jesus Cristo é verdadeiro Deus e Filho de Deus por Essência: O Cristo possui a infinita Natureza Divina com todas as suas infinitas Perfeições, por haver sido gerado eternamente por Deus.
7 – Jesus possui duas naturezas que não se transformam nem se misturam ou confundem: Declara o Concílio de Calcedônia (451, IV): "Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele mesmo perfeito em Divindade e Ele mesmo perfeito em humanidade (...) que se há de reconhecer nas duas naturezas: sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação e de modo algum apagada a diferença de natureza por causa da união, conservando cada natureza sua propriedade e concorrendo em uma só Pessoa" (Dz. 148).
8 – Cada uma das Naturezas em Cristo possui uma própria vontade física e uma própria operação física: Declara o III Concílio de Constantinopla (680-681): "Proclamamos, conforme os ensinamentos dos Santos Padres, que não existem duas vontades físicas e duas operações físicas, de modo indivisível, de modo que não seja conversível, de modo inseparável e de modo não confuso. E estas duas vontades físicas não se opõem uma à outra como afirmam os ímpios hereges..." (Dz. 291 e Dz. 263-288).
9 – Jesus Cristo, ainda que homem, é Filho Natural de Deus Pai: “Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei, para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.” (Missal Romano, Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, 2ª Leitura – Gl 4, 4-5)
10 – Cristo imolou-se a si mesmo na Cruz como verdadeiro e próprio Sacrifício:  No inefável Mistério, Cristo, por sua natureza humana, era ao mesmo tempo Sacerdote e Oferenda, mas por sua Natureza Divina, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, era O Mesmo que recebia o Sacrifício.
11 – Cristo nos resgatou e reconciliou com Deus por meio do Sacrifício de sua morte na Cruz: Jesus Cristo quis oferecer-se a Si mesmo a Deus Pai, como Sacrifício apresentado sobre a ara da Cruz em sua Morte, para obter-nos o perdão eterno.
12 – Ao terceiro dia depois de sua Morte, Cristo ressuscitou glorioso dentre os mortos: Ao terceiro dia, ressuscitado por sua própria Virtude, levantou-se Nosso Senhor Jesus do sepulcro.
13 – Cristo subiu em Corpo e Alma aos Céus e está assentado à direta de Deus Pai: Ressuscitou dentre os mortos e subiu ao Céu em Corpo e Alma.
Dogmas sobre a criação do mundo:
14 – Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do Nada: A criação do mundo, a partir do nada, não apenas é uma verdade fundamental da Revelação cristã, mas ao mesmo tempo chega a alcançá-la a razão com apenas suas forças naturais, baseando-se, por exemplo, nos Argumentos Cosmológicos: Argumento da Causa Primeira1 e Argumento da Contingência2.
15 – Caráter temporal do mundo: O mundo teve princípio no tempo, pois o Infinito é capaz de criar o finito, e o Eterno é capaz de dar existência ao temporal.
16 – Conservação do mundo: Além de Criador, Deus é Conservador, pois conserva na Existência a todas as coisas criadas.
Dogmas sobre o ser humano:
17 – O homem é formado de corpo material e alma espiritual:  declaram as Sagradas Escrituras: "O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em seu rosto o alento da vida" (Gn 2,7). / "Antes que o pó volte à terra, de onde saiu, e o espírito retorne a Deus..." (Ecl 12,7). / "Não tenhais medo dos que matam o corpo e à alma não podem matar; temais muito mais Àquele que pode destruir o corpo e a alma na geena." (Mt 10,28).
18 – O pecado de Adão se propaga a todos os seus descendentes por geração, não por imitação: O Pecado, que é morte da alma, se propaga de Adão a todos seus descendentes por geração, e não por imitação, sendo inerente a cada indivíduo.
19 – O homem caído não pode redimir-se a si próprio: Somente um ato livre por parte do Amor Divino poderia restaurar a ordem sobrenatural, destruída pelo Pecado. Sendo Deus infinitamente Grande, Justo e Perfeito, o crime contra Ele é infinitamente grave. Só poderia então ser resgatado mediante um Sacrifício infinitamente meritório e reparador, do qual nós não seríamos capazes.
Dogmas marianos:
20 – Imaculada Conceição de Maria: A Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição foi, por singular Graça e Privilégio de Deus Onipotente, em previsão dos Méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, preservada imune de toda mancha de culpa original. Assim era preciso que a Mãe do Senhor, o Tabernáculo da Nova e Eterna Aliança, fosse imaculada, assim como era intocável e feita do ouro mais puro a Arca da Antiga Aliança.
21- Virgindade Perpétua de Maria: A Igreja nos ensina, com Santo Agostinho, que Maria sempre foi Virgem: “antes do parto, no parto e depois do parto”. Desde os primórdios a Igreja confessou que Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria;
22 – Maria, Mãe de Deus: Maria gerou a Cristo segundo a natureza humana, mas quem dela nasce transcende esta natureza humana. – O Filho de Maria é propriamente o Verbo Divino, encarnado em natureza humana. – Maria, então, é necessariamente mãe de Deus, posto que Jesus, o Verbo, é Deus: Cristo, sendo inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, faz de Maria verdadeira mãe de Deus, por não haver separação entre as Naturezas humana e divina em Nosso Senhor e Salvador. Evidentemente, Maria não é anterior ao próprio Deus Onipotente e Criador de todas as coisas, nem é "deusa". Este dogma, pois, não deve ser confundido: Maria não é e nem poderia ser mãe de Deus segundo a Natureza Divina; entretanto, como as duas Naturezas no Cristo são inseparáveis, ela foi feita, por um inescrutável Mistério do próprio Deus, a um só tempo criatura, serva, filha e  mãe do Senhor.
23 – A Assunção de Maria: A Virgem Maria foi assunta ao Céu imediatamente após o fim de sua vida terrena; seu corpo não sofreu corrupção como sucederá com os homens e mulheres que ressuscitarão até o final dos tempos, passando pela decomposição. A Assunção de Nossa Senhora foi transmitida pela Tradição escrita e oral da Igreja. Não se encontra explicitamente na Sagrada Escritura, mas está ali implícita. O fato histórico, segundo relatos dos primeiros cristãos e transmitido pelos séculos de forma inconteste, dá conta de que, na ocasião de Pentecostes, Maria Santíssima tinha mais ou menos 47 anos de idade. Depois desse fato, permaneceu ela ainda 25 anos na Terra, a educar e formar, por assim dizer, a Igreja nascente, como outrora educara e protegera Deus Filho em sua infância. Terminou sua missão neste mundo com a idade de 72 anos, conforme a opinião mais comum.
Dogmas sobre o Papa e a Igreja:
24 – A Igreja foi fundada pelo Deus-Homem, Jesus Cristo: Cristo fundou a Igreja; Ele estabeleceu os fundamentos substanciais da mesma, no tocante a sua doutrina, culto e constituição.
25 – Cristo constituiu o Apóstolo São Pedro como primeiro entre os Apóstolos e como cabeça visível de toda a Igreja, conferindo-lhe imediata e pessoalmente o primado da jurisdição: O Romano Pontífice é o sucessor do bem-aventurado S. Pedro e tem o primado terreno sobre todo o rebanho do Senhor, que é a Igreja. Este fato é atestado claramente, repetidas vezes, pelas Sagradas Escrituras: ** "Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: 'Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?' Respondeu ele: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo'. Disse-lhe Jesus: 'Apascenta os meus cordeiros'. Perguntou-lhe outra vez: 'Simão, filho de Jonas, amas-me?' Respondeu-lhe: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo'. Disse-lhe Jesus: 'Apascenta os meus cordeiros'. Perguntou-lhe pela terceira vez: 'Simão, filho de João, amas-me?' Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: 'Amas-me?', e respondeu-lhe: 'Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo'. Disse-lhe Jesus: 'Apascenta as minhas ovelhas'.” (João 21,15-17) **** Diz o Senhor especialmente e somente a S. Pedro: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, confirma os teus irmãos.” (Lc 22, 31-32).
Destacamos ainda que é Pedro quem abre, preside e decidi o primeiro concílio da Igreja, o de Jerusalém atestado no Ato dos Apóstolos[1]; Pedro igualmente aparece em primeiro lugar em todas as listas de Apóstolos apresentadas pelos quatro evangelistas.
26 – O Papa possui o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda Igreja, não somente nas questões de fé e costumes, mas também na disciplina e governo da Igreja: Conforme esta declaração, o poder do Papa é de jurisdição; universal; supremo; pleno; ordinário; episcopal; imediato.
27 – O Papa é infalível quando se pronuncia ex cathedra: Para compreender este dogma, convém ter na lembrança: sujeito da infalibilidade papal é todo Papa legítimo, em sua qualidade de sucessor de Pedro. O objeto da infalibilidade são as verdades de fé e os costumes, revelados ou em íntima conexão com a Revelação Divina. A condição da infalibilidade é que o Papa fale ex cathedra, isto é:
a) Que fale como pastor e mestre de todos os fiéis fazendo uso de sua suprema autoridade.
b) Que tenha a intenção de definir alguma doutrina de fé ou costume para que seja acreditada por todos os fiéis.  A razão da infalibilidade é a assistência sobrenatural do Espírito Santo, que preserva o supremo mestre da Igreja de todo erro, conforme a Promessa de Cristo ('Eis que estou convosco até o fim do mundo' – Mt 28,20). A consequência da infalibilidade é que as definições ex cathedra dos Papas sejam por si mesmas irreformáveis, sem a possibilidade de intervenção posterior de qualquer autoridade, mesmo que seja outro Papa.
28 – A Igreja é infalível quando faz definição em matéria de fé e costumes: Estão sujeitos à infalibilidade:
• O Papa, quando fala ex cathedra;
• O episcopado pleno, com o Papa, que é a cabeça do episcopado, é infalível quando, reunido em concílio ecumênico ou disperso pelo rebanho da Terra, ensina e promove uma verdade de fé ou de costumes para que todos os fiéis a sustentem.
Dogmas sobre os Sacramentos:
29 – O Batismo é verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo: Atestam as Sagradas Escrituras: "Jesus lhes disse: 'Toda autoridade me foi dada no Céu e na Terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo'.”.[2]
30 – A Confirmação é verdadeiro e próprio Sacramento: Este Sacramento concede aos batizados a Fortaleza do Espírito Santo para que se consolidem interiormente em sua vida sobrenatural e confessem exteriormente com valentia sua fé em Jesus Cristo.
31 – A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo: Foi comunicada aos Apóstolos e a seus legítimos sucessores o poder de perdoar e de reter os pecados para reconciliar aos fiéis caídos depois do Batismo. Cristo, que pode perdoar os pecados, deu à sua Igreja o poder de perdoá-los em seu Nome: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; aqueles aos quais os retiverdes (não perdoardes), serão retidos” (Jo 20, 22ss).
32 – A Confissão Sacramental dos pecados está prescrita por Direito Divino e é necessária para a salvação: Basta indicar a culpa da consciência a sacerdote devidamente ordenado, mediante confissão secreta.
33 – A Eucaristia é verdadeiro Sacramento instituído por Cristo:  "Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão que eu hei de dar é a minha Carne, para a salvação do mundo." (Jo 6,51) "Quem se alimenta da minha Carne e bebe do meu Sangue permanece em Mim, e Eu nele." (Jo 6, 56-57) "Pois a minha Carne é verdadeiramente comida e o meu Sangue é verdadeiramente bebida." (Jo 6,55) "O Cálice que tomamos não é a Comunhão com o Sangue de Cristo? O Pão (...) não é a Comunhão com o Corpo de Cristo?" (I Cor 10,16) "Cada um se examine antes de comer desse Pão e beber desse Cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação." (I Cor 11,28-30)
34 – Cristo está Presente no Sacramento do Altar pela Transubstanciação de toda a substância do pão em seu Corpo e toda substância do vinho em seu Sangue: Transubstanciação é uma conversão no sentido passivo; é o trânsito de uma coisa a outra. Cessam as substâncias de Pão e Vinho, pois sucedem em seus lugares o Corpo e o Sangue de Cristo.
35 – A Unção dos enfermos é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo:  “Está alguém enfermo entre vós? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor.” (Tg 5,14)
36 – A Ordem é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo:  Existe uma hierarquia instituída por ordenação Divina, que consta de Bispos, Presbíteros e Diáconos. As Sagradas Escrituras o atestam em Fl 1,1.[3]
37 – O Matrimônio é verdadeiro e próprio Sacramento:  Cristo restaurou o Matrimônio[4] instituído e bendito por Deus, fazendo que recobrasse seu primitivo ideal da unidade e indissolubilidade e elevando-o a dignidade de Sacramento.
Dogmas sobre as últimas coisas:
38 – A Morte e sua origem: A morte é consequência do pecado primitivo. O relato bíblico da Queda (Gn 3) utiliza uma linguagem feita de imagens, mas afirma um acontecimento primordial, um fato que ocorreu no início da história do homem. A Revelação dá-nos a certeza de fé de que toda a história humana está marcada pelo pecado original cometido livremente por nossos primeiros pais, trazendo como consequência a morte. "Porque o salário do pecado é a morte, mas o Dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 6,23).
39 – O Céu (Paraíso): As almas dos justos, que no instante da morte se acham livres de toda culpa e pena de pecado, entram no Céu.
40 – O Inferno: As almas dos que morrem em estado de pecado mortal vão ao inferno.
41 – O Purgatório: As almas dos justos que no instante da morte estão agravadas por pecados veniais ou por penas temporais devidas pelo pecado vão ao Purgatório. O Purgatório é estado de purificação.
42 – O Fim do mundo e a Segunda vinda de Cristo:  No fim do mundo, Cristo, rodeado de Majestade, virá de novo para julgar os homens.
43 – A Ressurreição dos Mortos no Último Dia: Aos que creem em Jesus e se alimentam de seu Corpo e bebem de seu Sangue, Ele lhes promete a ressurreição para vida eterna de Paz e Plenitude.
44 – O Juízo Universal: O Cristo, Senhor e Salvador, depois de seu Retorno, julgará a todos os homens.


[1] At. 15, 7 “Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem. ”
[2] Mateus 28, 19
[3] Filipenses 1,1: “Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Jesus Cristo, que se acham em Filipos, juntamente com os bispos e diáconos:”
[4] Mateus 19 6-9 “Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu. Disseram-lhe eles: Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la? Jesus respondeu-lhes: É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim. Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério.”



[1] Vide também Isaías 42, 1 “Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda a minha afeição, faço repousar sobre ele meu espírito, para que leve às nações a verdadeira religião. ”
[2] Mateus 18, 18: “tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu”