Deus
e o mal.
Do próprio conceito de
Deus extraímos que Deus é
Onisciente, Onipotente e puro amor.
Diante
da afirmação acima surge a pergunta: Como entender o mal? Como entender que
coisas “ruins” aconteçam a “inocentes”?
Ao
tratar do tema do mal podemos partir do exemplo do Terremoto de Lisboa ocorrido
em 01-11-1755, dia de todos os santos, as 9:30 da manhã, na capital portuguesa,
e que forneceu munição à aqueles que já em estado de revolta buscam uma ocasião
de acusar Deus.
Como o mal entrou no
mundo?
A
Queda Original do Gênero Humano:
Gêneses Capítulo 3 1-6. A serpente era o mais astuto de
todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a
mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do
jardim?” A mulher respondeu-lhe: Podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas
do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis
dele, nem o tocareis, para que não morrais.” “Oh, não! – tornou a serpente –
vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos
olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.” A
mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável
aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele,
comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente.
As
três linhas de ação do pecado:
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Gêneses 3, 6
A mulher, vendo
que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui
apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou
também ao seu marido, que comeu igualmente.
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Mateus 4
A tentação do
demônio a Jesus
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I João 2, 16
Porque tudo o
que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e
a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo.
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O fruto era bom
para comer (agrada a natureza humana
nosso instinto de sobrevivência)
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Se és Filho de
Deus, ordena que estas pedras se tornem pães. (agrada a natureza humana nosso instinto de sobrevivência)
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Concupiscência
da carne (agrada a natureza humana
nosso instinto de sobrevivência enquanto espécie)
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De agradável aspecto\beleza
(agrada os olhos)
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Se és Filho de
Deus, lança-te abaixo (dá um show para
que todos vejam)
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Concupiscência dos olhos
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Apropriado para
abrir a inteligência\conseguir poder
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Dar-te-ei tudo
isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares. (Poder)
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Soberba da vida (Achar-se poderoso)
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A
morte entrou no mundo pelo pecado do homem, e é consequência do pecado.[1]
“Por isso, como por um só homem entrou o
pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero
humano, porque todos pecaram...”[2]
“Deus não é o autor da
morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma.”[3]
O que é o mal?
Podemos
subdividir o mal em 03 categorias: o mal moral, o mal físico e o mal natural.
Mal moral
– é aquele fruto da nossa liberdade (livre arbítrio), da liberdade de uma humanidade
decaída pelo pecado original, da ausência de Deus no coração. Deus se serve de
nossas ações livres, não somos marionetes. O mal sempre tem conseqüências.
Físico – Todas as
criaturas são limitadas, somos perfeitos dentro da natureza humana, e não no
sentido amplo da palavra, perfeito é só Deus.
“
CIC 1501. A doença pode levar à
angústia, ao fechar-se em si mesmo e até, por vezes, ao desespero e à revolta
contra Deus. Mas também pode tornar uma pessoa mais amadurecida, ajudá-la a
discernir, na sua vida, o que não é essencial para se voltar para o que o é.
Muitas vezes, a doença leva à busca de Deus, a um regresso a Ele. ”[4]
Natural – são os males
naturais, como enchentes, terremotos etc. o mundo também não é perfeito, se
Deus tivesse criado o mundo perfeito ele teria criado outro Deus.
Diante
do desafio do mal no mundo devemos lembrar que o mundo jaz sob o maligno[5],
e mais, vemos apenas fragmentos e não somos capazes de sondar os
mistérios de Deus e de seus desígnios de amor.
A
pergunta sobre o mal é sobretudo uma pergunta sobre o próprio homem e o sentido
de sua existência.
Não
podemos assumir uma postura de quem julga a Deus, ora, quem nos autorizou a
julgar Deus? Deus sabe mais, aquilo que ainda não entendo entenderei mais tarde,
nesta vida ou na vida eterna.
De
fato, “Deus não permitiria que o mal
existisse se dele não pudesse tirar um bem maior”. Santo Agostinho.
Do maior de todos os males, a morte de Jesus, Deus foi glorificado e nós fomos salvos.
Porque
que Deus não intervém nas mais variadas situações a fim de impedir que o mal
triunfe naquele momento? Não somos marionetes nas mãos de Deus, que não
intervém nem quando nós livremente escolhemos rejeitá-lo optando pelo pecado a
morte e a destruição da própria vida, muitas vezes nos condenando à perdição
eterna.
Deus,
que “habita numa luz inacessível”[6],
quer comunicar a sua própria vida divina aos homens que livremente criou, para
fazer deles, no seu Filho único, filhos adotivos[7].
Revelando-Se a Si mesmo, Deus quer tornar os homens capazes de Lhe responderem,
de O conhecerem e de O amarem, muito para além de tudo o que seriam capazes por
si próprios.[8]
Precisamos
entender que o sofrimento faz parte da vida, o próprio Jesus assumiu nosso
sofrimento, Deus veio sofrer conosco. O sofrimento acolhido com resignação nos
faz mais próximos de Cristo que sofre por nós, de certo modo sofre é um
privilégio.[9]
Para
dar um sentido ao sofrimento, Jesus o transformou em “matéria prima” da nossa salvação. Quem quer chegar à santidade não
deve ter medo da cruz e deve toma-la, resolutamente, “a cada dia”, como disse
Jesus, porque é ela que nos santificará.[10]
Precisamos
da ousadia de São Paulo e afirmarmos: “Agora
me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de
Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja”[11]
de certo modo o sofrimento é fundamental para nos configurarmos a Cristo.[12]
Quando
São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que Deus
tivesse se esquecido dele. São João Crisóstomo, doutor da Igreja, diz que “é melhor sofrer do que fazer milagres, já
que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se
torna devedor do homem”.
O
que Deus quer é nossa salvação eterna e ele fará de tudo para isso, e tudo o
que ele fazer será para isso, eis o propósito de nossa vida: Com a ajuda da
graça de Deus alcançarmos um dia o Céu!
Das curas de Jesus
Vemos
no novo testamento várias situações em que o Senhor se compadece de quem sofre
e se aproxima para apaziguar o sofrimento. Os doentes procuravam tocá-lo,
porque “dele saia uma força que a todos
curava”[13],
contudo deixa claro que a finalidade é a nossa salvação: “Vá a tua fé te salvou”.
“Eis o cordeiro de Deus
que tira os pecados do mundo” (Jo 1, 29), está é a
missão de Cristo e é através dela que somos salvos. “Porque sob o céu
nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos a não ser o
de Cristo” (At 4, 12).
O
próprio Deus veio a esse mundo sofrer conosco! Deus não nos disse o porquê de
permitir o sofrimento, mas nos deu um para quê: para nos transformarmos
internamente unindo-nos ao sofrimento redentor de Cristo na cruz.[14]
O sacramento da unção dos
enfermos CIC 1499 a 1532:
O
sacramento da Unção dos Enfermos é conferido aos que se encontram enfermos com
a vida em perigo, ungindo-os na fronte e nas mãos com óleo de oliveira ou, segundo
as circunstâncias, com outro óleo de origem vegetal, devidamente benzido, proferindo
uma só vez, as palavras: "Por esta santa unção e pela sua infinita misericórdia
o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto
dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos.[15]
O
sacramento da unção dos enfermos, além de longa atestação na tradição da Igreja
tem seu fundamento no mandato de Cristo[16]
“Curai os enfermos”[17]
e em São Thiago, Capítulo 5 14-15, vejamos:
Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes
da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do
Senhor.
A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se
ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados.
Lado
outro a Igreja jamais cedeu ou cederá a um curandeirismo, onde o centro é o ser
humano e o seu bem-estar, mas seguirá a Cristo crucificado, escândalo para os
judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos
-, força de Deus e sabedoria de Deus.[18]
Ocasião é propícia para
analisarmos em que ponto está a nossa fé, que por simplificação dividimos em 03
níveis, abaixo explicados:
01- Creio
nos Dogmas: ex. Creio Deus Pai, em Jesus, no Espírito Santo, na
Virgindade de Maria etc;
02- Moral: procuro
adequar minha vida a aquilo que Deus quer, tento mudar de vida e busco uma
sincera conversão.
03- Confio
na Divina Providência: Deus sabe perfeitamente o bem que
promove e o mal que permite para tirar dele bem maior, por isso me abandono nas
mãos de Deus que é um pai que sabe do que preciso para a salvação da minha e
não poupará esforços em me ajudar;
“Meu
filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no
temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com
paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no
tempo da infelicidade, (...). Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece
firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o
ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação. ”[19]
Precisamos afirmar como São Paulo: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.”[20]
Resumindo:
O Conjunto da fé Cristã é a resposta para o mal.
Sugestão
de leitura:
- http://www.faculdadejesuita.edu.br/documentos/160513-S4NF4Jh4ToYqm.pdf Dissertação de Mestrado de Rogério Félix
Machado
- Decreto
sobre o pecado original do concílio de Trento (17-06-1546) http://www.paraclitus.com.br/2010/doutrina/graca-pecado-justificacao/concilio-de-trento-decreto-sobre-o-pecado-original/
[1]
Catecismo da Igreja Católica 1008.
[2]
Romanos 5, 12
[3]
Sabedoria 1, 13
[4]
Catecismo da Igreja Católica nº 1501.
[5]
I João 5, 19
[6] 1 Tm 6,
16
[7] Ef. 1,
4-5
[8]
Catecismo da Igreja Católica nº 52
[9]
“Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse
alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes
dos sofrimentos de Cristo, para que vos possais alegrar e exultar no dia em que
for manifestada sua glória.” I Pedro 4 12,13 "CHEGUEI AO PONTO DE NÃO
SOFRER, PORQUE TODO O SOFRIMENTO ME É DOCE." Santa Therezinha do Menino
Jesus. "Não pode acontecer coisa mais gloriosa a um Cristão do que padecer
por amor de Cristo". São Felipe Neri.
[11] Colossenses
1, 24
[12] "Os
dons de Deus causam: desapego de tudo, grande amor a cruz e ao sofrimento”. São
Paulo da Cruz. Catecismo da Igreja Católica nº 1505. Comovido por tanto
sofrimento, Cristo não só Se deixa tocar pelos doentes, como também faz suas as
misérias deles: «Tomou sobre Si as nossas enfermidades e carregou com as nossas
doenças» (Mt 8, 17) (111). Ele não curou todos os doentes. As curas que fazia
eram sinais da vinda do Reino de Deus. Anunciavam uma cura mais radical: a
vitória sobre o pecado e sobre a morte, mediante a sua Páscoa. Na cruz, Cristo tomou sobre Si todo o peso
do mal (112) e tirou «o pecado do mundo» (Jo 1, 29), do qual a doença não é
mais que uma consequência. Pela sua paixão e morte na cruz. Cristo deu novo
sentido ao sofrimento: desde então este pode configurarmos com Ele e unir-nos à
sua paixão redentora.
[13] Lucas
6, 19
[14] Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior em https://padrepauloricardo.org/episodios/por-que-deus-permite-o-sofrimento-de-seus-filhos
[15] Paulo
VI. Const. ap. Sacram Unctionem infirmorum via CIC nº 1513.
[16] Em Marcos
capítulo 6 ao enviar os discípulos estes realizam curas pela oração e unção. Estes
milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome,
falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal,
não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados. Marcos
16 17-18.
[17] Mateus
10, 8
[18]
I Coríntios 1, 23-24
[19] Eclesiástico,
2 1-5
[20] Rom. 8,
28
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