sexta-feira, 8 de abril de 2016

Deus e o mal



Deus e o mal.
Do próprio conceito de Deus extraímos que Deus é Onisciente, Onipotente e puro amor.
Diante da afirmação acima surge a pergunta: Como entender o mal? Como entender que coisas “ruins” aconteçam a “inocentes”?
Ao tratar do tema do mal podemos partir do exemplo do Terremoto de Lisboa ocorrido em 01-11-1755, dia de todos os santos, as 9:30 da manhã, na capital portuguesa, e que forneceu munição à aqueles que já em estado de revolta buscam uma ocasião de acusar Deus.
Como o mal entrou no mundo?
A Queda Original do Gênero Humano:
 Gêneses Capítulo 3 1-6. A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?” A mulher respondeu-lhe: Podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.” “Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.” A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente.
As três linhas de ação do pecado:
Gêneses 3, 6
A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente.
Mateus 4
A tentação do demônio a Jesus
I João 2, 16
Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo.
O fruto era bom para comer (agrada a natureza humana nosso instinto de sobrevivência)
Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães. (agrada a natureza humana nosso instinto de sobrevivência)
Concupiscência da carne (agrada a natureza humana nosso instinto de sobrevivência enquanto espécie)
De agradável aspecto\beleza (agrada os olhos)
Se és Filho de Deus, lança-te abaixo (dá um show para que todos vejam)
Concupiscência dos olhos
Apropriado para abrir a inteligência\conseguir poder
Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares. (Poder)
Soberba da vida (Achar-se poderoso)

A morte entrou no mundo pelo pecado do homem, e é consequência do pecado.[1] “Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram...”[2]
“Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma.”[3]
O que é o mal?
Podemos subdividir o mal em 03 categorias: o mal moral, o mal físico e o mal natural.
Mal moral – é aquele fruto da nossa liberdade (livre arbítrio), da liberdade de uma humanidade decaída pelo pecado original, da ausência de Deus no coração. Deus se serve de nossas ações livres, não somos marionetes. O mal sempre tem conseqüências.
Físico Todas as criaturas são limitadas, somos perfeitos dentro da natureza humana, e não no sentido amplo da palavra, perfeito é só Deus.
CIC 1501. A doença pode levar à angústia, ao fechar-se em si mesmo e até, por vezes, ao desespero e à revolta contra Deus. Mas também pode tornar uma pessoa mais amadurecida, ajudá-la a discernir, na sua vida, o que não é essencial para se voltar para o que o é. Muitas vezes, a doença leva à busca de Deus, a um regresso a Ele. ”[4]
Natural são os males naturais, como enchentes, terremotos etc. o mundo também não é perfeito, se Deus tivesse criado o mundo perfeito ele teria criado outro Deus.
Diante do desafio do mal no mundo devemos lembrar que o mundo jaz sob o maligno[5], e mais, vemos apenas fragmentos e não somos capazes de sondar os mistérios de Deus e de seus desígnios de amor.
A pergunta sobre o mal é sobretudo uma pergunta sobre o próprio homem e o sentido de sua existência.
Não podemos assumir uma postura de quem julga a Deus, ora, quem nos autorizou a julgar Deus? Deus sabe mais, aquilo que ainda não entendo entenderei mais tarde, nesta vida ou na vida eterna.
De fato, “Deus não permitiria que o mal existisse se dele não pudesse tirar um bem maior”. Santo Agostinho. Do maior de todos os males, a morte de Jesus, Deus foi glorificado e nós fomos salvos.
Porque que Deus não intervém nas mais variadas situações a fim de impedir que o mal triunfe naquele momento? Não somos marionetes nas mãos de Deus, que não intervém nem quando nós livremente escolhemos rejeitá-lo optando pelo pecado a morte e a destruição da própria vida, muitas vezes nos condenando à perdição eterna.
Deus, que “habita numa luz inacessível[6], quer comunicar a sua própria vida divina aos homens que livremente criou, para fazer deles, no seu Filho único, filhos adotivos[7]. Revelando-Se a Si mesmo, Deus quer tornar os homens capazes de Lhe responderem, de O conhecerem e de O amarem, muito para além de tudo o que seriam capazes por si próprios.[8]
Precisamos entender que o sofrimento faz parte da vida, o próprio Jesus assumiu nosso sofrimento, Deus veio sofrer conosco. O sofrimento acolhido com resignação nos faz mais próximos de Cristo que sofre por nós, de certo modo sofre é um privilégio.[9]
Para dar um sentido ao sofrimento, Jesus o transformou em “matéria prima” da nossa salvação. Quem quer chegar à santidade não deve ter medo da cruz e deve toma-la, resolutamente, “a cada dia”, como disse Jesus, porque é ela que nos santificará.[10]
Precisamos da ousadia de São Paulo e afirmarmos: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja”[11] de certo modo o sofrimento é fundamental para nos configurarmos a Cristo.[12]
Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que Deus tivesse se esquecido dele. São João Crisóstomo, doutor da Igreja, diz que “é melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.
O que Deus quer é nossa salvação eterna e ele fará de tudo para isso, e tudo o que ele fazer será para isso, eis o propósito de nossa vida: Com a ajuda da graça de Deus alcançarmos um dia o Céu!
Das curas de Jesus
Vemos no novo testamento várias situações em que o Senhor se compadece de quem sofre e se aproxima para apaziguar o sofrimento. Os doentes procuravam tocá-lo, porque “dele saia uma força que a todos curava”[13], contudo deixa claro que a finalidade é a nossa salvação: “Vá a tua fé te salvou”.
“Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo” (Jo 1, 29), está é a missão de Cristo e é através dela que somos salvos. “Porque sob o céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos a não ser o de Cristo” (At 4, 12).
O próprio Deus veio a esse mundo sofrer conosco! Deus não nos disse o porquê de permitir o sofrimento, mas nos deu um para quê: para nos transformarmos internamente unindo-nos ao sofrimento redentor de Cristo na cruz.[14]
O sacramento da unção dos enfermos CIC 1499 a 1532:
O sacramento da Unção dos Enfermos é conferido aos que se encontram enfermos com a vida em perigo, ungindo-os na fronte e nas mãos com óleo de oliveira ou, segundo as circunstâncias, com outro óleo de origem vegetal, devidamente benzido, proferindo uma só vez, as palavras: "Por esta santa unção e pela sua infinita misericórdia o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos.[15]
O sacramento da unção dos enfermos, além de longa atestação na tradição da Igreja tem seu fundamento no mandato de Cristo[16]Curai os enfermos[17] e em São Thiago, Capítulo 5 14-15, vejamos:
Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados.
Lado outro a Igreja jamais cedeu ou cederá a um curandeirismo, onde o centro é o ser humano e o seu bem-estar, mas seguirá a Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus.[18]
Ocasião é propícia para analisarmos em que ponto está a nossa fé, que por simplificação dividimos em 03 níveis, abaixo explicados:
01-  Creio nos Dogmas: ex. Creio Deus Pai, em Jesus, no Espírito Santo, na Virgindade de Maria etc;
02-  Moral: procuro adequar minha vida a aquilo que Deus quer, tento mudar de vida e busco uma sincera conversão.
03-  Confio na Divina Providência: Deus sabe perfeitamente o bem que promove e o mal que permite para tirar dele bem maior, por isso me abandono nas mãos de Deus que é um pai que sabe do que preciso para a salvação da minha e não poupará esforços em me ajudar;
“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, (...). Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação. ”[19]
Precisamos afirmar como São Paulo: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.”[20]
Resumindo: O Conjunto da fé Cristã é a resposta para o mal.
Sugestão de leitura:
- http://www.faculdadejesuita.edu.br/documentos/160513-S4NF4Jh4ToYqm.pdf  Dissertação de Mestrado de Rogério Félix Machado


[1] Catecismo da Igreja Católica 1008.
[2] Romanos 5, 12
[3] Sabedoria 1, 13
[4] Catecismo da Igreja Católica nº 1501.
[5] I João 5, 19
[6] 1 Tm 6, 16
[7] Ef. 1, 4-5
[8] Catecismo da Igreja Católica nº 52
[9] “Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que vos possais alegrar e exultar no dia em que for manifestada sua glória.” I Pedro 4 12,13 "CHEGUEI AO PONTO DE NÃO SOFRER, PORQUE TODO O SOFRIMENTO ME É DOCE." Santa Therezinha do Menino Jesus. "Não pode acontecer coisa mais gloriosa a um Cristão do que padecer por amor de Cristo". São Felipe Neri.
[11] Colossenses 1, 24
[12] "Os dons de Deus causam: desapego de tudo, grande amor a cruz e ao sofrimento”. São Paulo da Cruz. Catecismo da Igreja Católica nº 1505. Comovido por tanto sofrimento, Cristo não só Se deixa tocar pelos doentes, como também faz suas as misérias deles: «Tomou sobre Si as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças» (Mt 8, 17) (111). Ele não curou todos os doentes. As curas que fazia eram sinais da vinda do Reino de Deus. Anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e sobre a morte, mediante a sua Páscoa. Na cruz, Cristo tomou sobre Si todo o peso do mal (112) e tirou «o pecado do mundo» (Jo 1, 29), do qual a doença não é mais que uma consequência. Pela sua paixão e morte na cruz. Cristo deu novo sentido ao sofrimento: desde então este pode configurarmos com Ele e unir-nos à sua paixão redentora.
[13] Lucas 6, 19
[15] Paulo VI. Const. ap. Sacram Unctionem infirmorum via CIC nº 1513.
[16] Em Marcos capítulo 6 ao enviar os discípulos estes realizam curas pela oração e unção. Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados. Marcos 16 17-18.
[17] Mateus 10, 8
[18] I Coríntios 1, 23-24
[19] Eclesiástico, 2 1-5
[20] Rom. 8, 28

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