sexta-feira, 8 de abril de 2016

A Existência de Deus



DEUS
Quem é Deus?
Tentar responder a essa questão, especialmente num mundo cada vez mais hostil aos Cristãos e a Deus, como previu Jesus[1], é por um lado desafiador e por outro extremamente necessário, de todo modo, podemos num conceito simplificado dizer que: Deus é indefinível, porém, nos limites da razão humana e pela Revelação podemos dizer que Deus é o Logos, a razão universal que dá sentido às coisas, ordenando-as conforme lhe aprouver e lhe for conveniente. Impensável e necessariamente pensável. Deus é onisciente, onipotente e Onipresente. Deus é Amor.[2]
Em flagrante confronto vemos uma grande gama de filósofos com um pensamento diverso e que têm Deus como um construto da sociedade. A imagem de um ser soberano, a qual todas as coisas estariam submetidas, é apenas uma projeção humana; o ideal de um indivíduo qualquer a fim de satisfazer seus sonhos pessoais é o que defende Feuerbach.
O homem, portanto, seria um ser dividido entre fortes e fracos onde os fracos criaram a ideia de um paraíso pós-morte por não serem capazes de lidar com a realidade dos fatos: o caos insuperável do universo, a falta de sentido para a existência do mundo. Deus seria um subterfúgio, uma muleta para os incapazes, ao passo que o ceticismo se levanta como a única medida para uma autêntica visão da realidade, pensamento compartilhado entre outros por Karl Marx, Martin Heidegger, Sigmund Freud e Jean Paul Sartre.
Vemos, contudo, que o eu biográfico quase sempre influi no pensamento dos Autores, Sigmund Freud, por exemplo, baseia toda sua objeção a Deus em sua má experiência com o pai; ele defendia que a realização do homem era matar (na sua mente) o próprio pai sem qualquer ressentimento. Isso porque quando criança, seu pai, Jacob Freud, tentara abusá-lo sexualmente, como também abusara dos demais irmãos do futuro criador da psicanálise. A ideia de um Deus que fosse Pai era demasiada insuportável. Jean Paul Sartre, por sua vez, ficou órfão muito cedo, não tendo qualquer referência de paternidade nem sequer a do padrasto.
Jean Paul Sartre, afirma que o homem não foi criado e, portanto, não tem uma natureza própria, de modo que nada é certo ou errado, é simplesmente uma escolha, para ele não há Deus algum e todos os conceitos que temos devem ser desconstruídos.
Ateus como Stephen Hawking chegam a afirmar “A religião é o conto de fadas para os que têm medo do escuro”, outros como Nietzsche chegam a ao absurdo de afirmar: “Se existissem deuses como poderia eu suportar não ser um deus?! Por conseguinte, não há deuses”.[3]
Para citar outros Ateus famosos de nosso tempo: “Sobre acreditar em um Deus criador: prefiro acreditar em extraterrestres” Richard Dawkins “Se visse uma imagem da Virgem Maria acenar para ele ainda assim não acreditaria em nada de sobrenatural.” Stephen Hawking.
No embate contra a fé podemos destacar ainda o Empirismo proposto por Emanuel Kant, que afirma que tudo o que existe pode ser provado cientificamente, por meio de uma experiência científica, grande falácia vez que ele mesmo não chegou a está conclusão por meio de uma experiência científica, logo Kant parece estar acima da própria regra que pretende criar.
Na mesma esteira o movimento conhecido como teoria do relativismo, que afirma tudo é relativo, que não existe a verdade, pois as coisas são para mim,[4] movimento cuja raiz remonta ao próprio Emanuel Kant que afirma que não podemos ter acesso à coisa em si, mas apenas ao fenômeno que se nos apresenta, padece igualmente de paralaxe cognitiva, explico:
E está afirmação é verdadeira ou é relativa também? Porque se é relativa então pode ser que exista a verdade... E mais não se pode viver sobre essa afirmação, por exemplo, quando some algum valor em nossa conta bancária, quando vamos ao médico e etc., logo a quem faz está afirmação interessa apenas justificar sua conduta moral, no fundo o interesse é apenas justificar-se.
Muitos ainda atacam a fé em virtude da conduta dos praticantes da religião, ou mesmo por entenderem que Deus nos limita e nos castiga, além de apresentarem o problema da existência do mal, que será à frente enfrentado.
Outros afirmam ser Deus apenas um subterfúgio, uma muleta para os fracos ou mesmo um Deus Ex-Máquina, ou seja, um Deus criado para justificar o que não conseguimos entender ou explicar, ou seja, uma ideia falsa de Deus, que não passa de um ídolo.
Afirmam os ateus também que Deus não está acessível aos meus sentidos, e portanto, não existe, o que é logicamente falso, ora quem disse que todas as coisas que existem estão disponíveis aos nossos sentidos, não enxergamos por exemplo a luz infravermelha e ela, contudo existe indiscutivelmente, também não sentimos as ondas de rádio e telefonia que passam por nós a cada instante aos milhares.
Por fim existem ainda aqueles que preferem ser indiferentes diante de Deus, ao ponto de afirmarem que: Quanto a Deus eu não sei, mas respeito quem crê, ou seja, são indiferentes.
Contudo, pensamos como Jhon Lennox : “O ateísmo é o conto de fadas para os que têm medo da luz”.
Repetimos em sintonia com a Igreja:O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso[5]
Diferentemente dos demais animais, todo ser humano possui um projeto de vida. Ele vive segundo uma aspiração a algo futuro, quer seja uma carreira bem-sucedida quer seja a salvação eterna. O fato é que todos precisam de uma razão que dê sentido às suas existências; caso contrário, perde-se o elã desta vida.
A existência de Deus:
“Um pouco de conhecimento nos afasta de Deus, muito conhecimento nos aproxima dele” (Louis Pasteur), com está certeza Deus nos convida a conhecê-lo e amá-lo não apenas pela luz da fé, mas também pelo lampejo da razão humana[6], que embora fragilizada pela Queda original[7] de nossos primeiros pais, permanecem preservada o bastante para acolhermos o Deus que se revela.
As pistas de Deus na criação:
Podemos conhecer Deus pelas coisas criadas, é o que afirma a Igreja[8], embora muitas vezes as “imperfeições” da mesma nos assustem e sirvam de alerta para nos afastar da idolatria. De fato, Deus não criou uma natureza perfeita, perfeito é apenas Deus.
Lado outro podemos vislumbra também o sentido o sentido das coisas criadas: Tudo o que existe está orientada a um fim, fim este que está fora da coisa, então qual seria finalidade da história humana se Deus não existisse? Não haveria sentido!
Outra pista que destacamos é o Transcendental do Belo[9]: Todos buscamos o mais belo, o mais perfeito, contudo quem é este ser perfeito que buscamos? De fato é Deus a nossa inspiração para a busca do Belo, igualmente se diga da Busca da perfeição: por que buscamos sempre a perfeição se sabemos que não a alcançaremos, e mais, se vemos que algo não está perfeito logo apontamos um defeito.
  Argumentos Filosóficos da Existência de Deus:
Embora Deus não seja necessitado de defesa, pois Deus bastasse-se a si mesmo em sua infinita perfeição e bem aventurança[10], urge igualmente, por obra de misericórdia espiritual[11], auxiliar por meio da doutrina e do magistério da Igreja, auxiliado no pensamento dos santos, aos cristãos de toda época a refletirem sobre a existência de Deus no âmbito da razão, vez que está junto com a fé formam as asas que nos elevam ao céu.[12]
a)    Argumento ontológico de Santo Anselmo: Por definição Deus é um Ser do qual não se pode pensar nada maior do que Ele; um ser que existe necessariamente (absoluto) maior do que um ser que não existe necessariamente (contingente); assim, se Deus existe na minha mente, mas não existe necessariamente na realidade podemos imaginar algo que seja maior do que Deus, mas não se pode imaginar algo maior do que Deus, então se Deus existe na mente como uma idéia, Deus existe necessariamente na realidade.
b)   O argumento noológico de Santo Agostinho: existe uma Verdade imutável que julga o pensamento humano
O argumento se torna de difícil aceitação na medida em que defronta com o problema do relativismo, porém o relativista real, em prática, é insustentável!
Se olharmos bem para o relativismo enquanto sistema filosófico e moral, perceberemos claramente sua desonestidade, pois quer eximir o ser humano de responsabilidade; é, no fundo, uma trapaça de quem não quer mudar de vida. As pessoas estão tão fixadas na desonestidade de não querer uma Verdade que implicaria em uma mudança de opinião, não querem perder a “liberdade”; em outras palavras, no fundo o problema é moral.

c)    Cinco vias de São Tomás[13]:
01  - Parte do movimento (Platão): Nossos sentidos atestam, com toda a certeza, que neste mundo algumas coisas se movem. Ora, tudo o que se move é movido por outro. “É preciso que tudo o que se move seja movido por outro. Assim, se o que move é também movido, o é necessariamente por outro, e este por outro ainda. Ora, não se pode continuar até o infinito [...]. É então necessário chegar a um primeiro motor, não movido por nenhum outro, e este, todos entendem: Deus”.
02  - Causa e efeito (Aristóteles): é “aquilo de que provêm a mudança e o movimento das coisas: os pais são a causa eficiente dos filhos, a vontade é a causa eficiente das várias ações do homem” “Se não existisse a primeira entre as causas eficientes, não haveria a última nem a intermediária. Mas se tivéssemos de continuar até o infinito na série das causas eficientes, não haveria causa primeira; assim sendo, não haveria efeito último, nem causa eficiente intermediária, o que é evidentemente falso. Logo, é necessário afirmar uma causa eficiente primeira, a que todos chamam Deus”.
03  - A questão do possível e do necessário: tudo que poderia não existir um dia não existiu: “Se tudo pode não ser, houve um momento em que nada havia. Ora, se isso é verdadeiro, ainda agora nada existiria; pois o que não é só passa a ser por intermédio de algo que já é. Por conseguinte, se não houve ente algum, foi impossível que algo começasse a existir; logo, hoje, nada existiria: o que é falso. Assim, nem todos os entes são possíveis, mas é preciso que algo seja necessário entre as coisas”.
04  Causa eficiente: tudo foi causado por algo, por exemplo os pais são a causa dos filhos, se ocorre um acidente logo queremos saber a causa, e no início, qual foi a primeira causa eficiente? Deus
05  Finalidade de tudo - inteligência nas coisas. Tudo caminha para uma finalidade, para uma perfeição, logo a perfeição deve existir. Buscamos a felicidade plena que não está disponível nesse mundo. Somos insatisfeitos por natureza. Seria então o ser humano um animal defeituoso?
A ordem cosmológica do universo. “Sem Deus o universo não explicável satisfatoriamente” Albert Einstein.
Podemos destacar ainda a confiança com que vivemos: Sabemos que nossa vida pode acabar a qualquer instante e nem por isso nos desesperamos.
O que significa ter um Deus?
Ponto chave para o raciocínio é que se alguém me pensou então eu sou feito para Ele, Ele sabe como eu sou! Eu não sou Deus e nossa vida deve ser uma resposta a Deus.
Porém reconhecer que não somos Deus é duro e até mesmo Martinho Lutero é capaz de reconhecer essa debilidade: “O homem, pela sua natureza [decaída!], não pode querer que Deus seja Deus, mas ao contrário, o homem desejaria ele mesmo ser deus e que Deus não fosse Deus”
E qual deve ser nossa posição diante de Deus? Apresento-me como criatura ou quero eu construir Deus à minha imagem e semelhança? Qual a imagem que tenho de Deus? Faço as coisas buscando uma recompensa?
Não devemos ser nem mercenário que faz as coisas pela recompensa, nem escravo que faz as coisas por medo de ser castigado, mas sim como um filho de Deus, que faz as tudo a fim de corresponder ao Amor que Deus já demonstrou por nós, Deus é Amor!
Deus revela o homem ao próprio homem e o que ele deve fazer ou não fazer para se realizar como o ser humano. O amor é a recompensa de amar; O mal é a recompensa do mal, não é preciso castigo para quem bebe veneno, pois o próprio veneno já é nocivo o bastante, quem opta por não amar vive em constante sofrimento.
Deus criou o mundo e o cria e sustenta a todo instante.[14] Embutiu no coração humano um desejo de felicidade que só é saciado pelo próprio Deus, pois é um desejo da Felicidade de Deus, e que só alcançaremos em plenitude na bem aventurança do Céu.[15] 
O Ateísmo Hoje:
Todavia, a grande sacada do ateísmo moderno não consiste tanto na negação da realidade. Consiste, pelo contrário, na dissolução de Deus nesta mesma realidade. É o que faz Hegel com o panteísmo, afirmando que tudo é Deus. Trata-se de um ateísmo chique. O materialismo, ao contrário do que muitos pensam, não é radicalmente ateu. Ele é radicalmente materialista, isto é, apegado à matéria. Ele pode crer em Deus, ele pode cultuar divindades pagãs, pagar promessas, tomar chá de Bach etc. Mas desde que essas coisas não lhe impeçam de se auto-satisfazer.  O grande deus deste século é a vontade, é o EU. 
Entre a verdade e a liberdade o mundo pós-revolução francesa tende a optar pela liberdade, contudo Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará[16]. Precisamos buscar a verdade! A liberdade humana é sempre limitada, e é a verdade que nos liberta!
Porque Deus se esconde?
O fato de Deus se esconder é a condição da possibilidade de nossa liberdade, Deus não nos quer marionetes, Ele quer que livremente o busquemos e o amemos, e Ele se torna disponível a nós pela graça.


[1] Eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos – Mt. 10,16
[2] 1 João 4,16
[3] NIETZCHE, F. – em  Assim Falou Zaratustra
[4] Vivemos na época da ditadura do relativismo, como afirma o Papa Bento XVI, entre outras ocasiões em homilia pronunciada na Missa Pro Eligendo Pontífice, celebrada no dia 18 de abril de 2005, ainda como Cardel: “Todos os dias nascem novas seitas e cumpre-se assim o que São Paulo disse sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a induzir ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é freqüentemente catalogado como fundamentalismo, ao passo que o relativismo, isto é, o deixar-se levar ao sabor de qualquer vento de doutrina, aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que usa como critério último apenas o próprio “eu” e os seus apetites.”
[5] Catecismo da Igreja Católica nº 27
[6] “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar. Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato. Pretendendo-se sábios, tornaram-se loucos” Romanos 1 19-22
[7] Pecado de Adão e Eva, ou seja, a desobediência inicial, chamada também de condição pós-lapsária,  A condição pós-lapsária é a condição do homem após o pecado. Cristo não tinha pecado em si, por ser Deus, mas assumiu uma humanidade que carregava nela as conseqüências do pecado, como a mortalidade, por exemplo. Gêneses 3.
[8] Catecismo da Igreja Católica nº 31 e seguintes
[9] Catecismo da Igreja Católica nº 33                                                                                      
[10] Catecismo da Igreja Católica nº 01
[11] Obras de misericórdia espirituais Ensinar os ignorantes
[12] A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio (cf. Ex 33, 18; Sal 2726, 8-9; 6362, 2-3; Jo 14, 8; 1 Jo 3, 2). CARTA ENCÍCLICA FIDES ET RATIO DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II.
[13] Santo Tomás de Aquino; Suma Teológica.
[14] Catecismo da Igreja Católica nº 301
[15] Catecismo da Igreja Católica nº 1718, 1721, 1725.
[16] João 8, 32

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