DEUS
Quem é Deus?
Tentar responder a essa questão,
especialmente num mundo cada vez mais hostil aos Cristãos e a Deus, como previu
Jesus[1], é por um lado desafiador
e por outro extremamente necessário, de todo modo, podemos num conceito simplificado
dizer que: Deus é indefinível, porém,
nos limites da razão humana e pela Revelação podemos dizer que Deus é o Logos,
a razão universal que dá sentido às coisas, ordenando-as conforme lhe aprouver
e lhe for conveniente. Impensável e necessariamente pensável. Deus é
onisciente, onipotente e Onipresente. Deus é Amor.[2]
Em flagrante confronto vemos uma grande
gama de filósofos com um pensamento diverso e que têm Deus como um construto da
sociedade. A imagem de um ser soberano, a qual todas as coisas estariam submetidas,
é apenas uma projeção humana; o ideal de um indivíduo qualquer a fim de
satisfazer seus sonhos pessoais é o que defende Feuerbach.
O homem, portanto, seria um ser dividido
entre fortes e fracos onde os fracos criaram a ideia de um paraíso pós-morte
por não serem capazes de lidar com a realidade dos fatos: o caos insuperável do
universo, a falta de sentido para a existência do mundo. Deus seria um
subterfúgio, uma muleta para os incapazes, ao passo que o ceticismo se levanta
como a única medida para uma autêntica visão da realidade, pensamento
compartilhado entre outros por Karl
Marx, Martin Heidegger, Sigmund Freud e Jean Paul Sartre.
Vemos, contudo, que o eu biográfico quase
sempre influi no pensamento dos Autores, Sigmund Freud, por exemplo, baseia
toda sua objeção a Deus em sua má experiência com o pai; ele defendia que a
realização do homem era matar (na sua mente) o próprio pai sem qualquer
ressentimento. Isso porque quando criança, seu pai, Jacob Freud, tentara
abusá-lo sexualmente, como também abusara dos demais irmãos do futuro criador
da psicanálise. A ideia de um Deus que fosse Pai era demasiada insuportável. Jean Paul Sartre, por sua vez, ficou
órfão muito cedo, não tendo qualquer referência de paternidade nem sequer a do
padrasto.
Jean Paul Sartre, afirma que o homem não
foi criado e, portanto, não tem uma natureza própria, de modo que nada é certo
ou errado, é simplesmente uma escolha, para ele não há Deus algum e todos os
conceitos que temos devem ser desconstruídos.
Ateus como Stephen Hawking chegam a
afirmar “A religião é o conto de fadas
para os que têm medo do escuro”, outros como Nietzsche chegam a ao absurdo
de afirmar: “Se existissem deuses como
poderia eu suportar não ser um deus?! Por conseguinte, não há deuses”.[3]
Para citar outros Ateus famosos de nosso
tempo: “Sobre acreditar em um Deus
criador: prefiro acreditar em extraterrestres” Richard Dawkins “Se visse uma
imagem da Virgem Maria acenar para ele ainda assim não acreditaria em nada de
sobrenatural.” Stephen Hawking.
No embate contra a fé podemos destacar
ainda o Empirismo proposto por Emanuel Kant, que afirma que tudo o que existe
pode ser provado cientificamente, por meio de uma experiência científica,
grande falácia vez que ele mesmo não chegou a está conclusão por meio de uma
experiência científica, logo Kant parece estar acima da própria regra que
pretende criar.
Na mesma esteira o movimento conhecido
como teoria do
relativismo, que afirma tudo é relativo,
que não existe a verdade, pois as coisas são para mim,[4] movimento cuja raiz
remonta ao próprio Emanuel Kant que afirma que não podemos
ter acesso à coisa em si, mas apenas ao fenômeno que se nos apresenta, padece
igualmente de paralaxe cognitiva, explico:
E
está afirmação é verdadeira ou é relativa também? Porque se é relativa então
pode ser que exista a verdade... E mais não se pode viver sobre essa afirmação,
por exemplo, quando some algum valor em nossa conta bancária, quando vamos ao
médico e etc., logo a quem faz está afirmação interessa apenas justificar
sua conduta moral, no fundo o interesse é apenas justificar-se.
Muitos ainda atacam a fé em virtude da
conduta dos praticantes da religião, ou mesmo por entenderem que Deus nos limita e nos castiga, além
de apresentarem o problema da existência do mal, que será à frente enfrentado.
Outros
afirmam ser Deus apenas um subterfúgio, uma muleta para os fracos ou mesmo um
Deus Ex-Máquina, ou seja, um Deus criado para justificar o que não conseguimos
entender ou explicar, ou seja, uma ideia falsa de Deus, que não passa de um
ídolo.
Afirmam
os ateus também que Deus não está acessível aos meus sentidos,
e portanto, não existe, o que é logicamente falso, ora quem disse que todas as
coisas que existem estão disponíveis aos nossos sentidos, não enxergamos por
exemplo a luz infravermelha e ela, contudo existe indiscutivelmente, também não
sentimos as ondas de rádio e telefonia que passam por nós a cada instante aos
milhares.
Por fim existem ainda aqueles que preferem
ser indiferentes diante de Deus, ao ponto de afirmarem que: Quanto a Deus eu
não sei, mas respeito quem crê, ou seja, são indiferentes.
Contudo, pensamos como Jhon Lennox : “O ateísmo é o conto de fadas para os que
têm medo da luz”.
Repetimos em sintonia com a Igreja: “O desejo de Deus é um
sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e
para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem
encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso”[5]
Diferentemente dos demais animais, todo
ser humano possui um projeto de vida. Ele vive segundo uma aspiração a algo
futuro, quer seja uma carreira bem-sucedida quer seja a salvação eterna. O fato
é que todos precisam de uma razão que dê sentido às suas existências; caso
contrário, perde-se o elã desta vida.
A existência de Deus:
“Um
pouco de conhecimento nos afasta de Deus, muito conhecimento nos aproxima dele” (Louis
Pasteur), com está certeza Deus nos convida a conhecê-lo e amá-lo não apenas
pela luz da fé, mas também pelo lampejo da razão humana[6], que embora fragilizada
pela Queda original[7]
de nossos primeiros pais, permanecem preservada o bastante para acolhermos o
Deus que se revela.
As pistas de Deus
na criação:
Podemos conhecer Deus pelas coisas criadas,
é o que afirma a Igreja[8], embora muitas vezes as “imperfeições” da mesma nos assustem e
sirvam de alerta para nos afastar da idolatria. De fato, Deus não criou uma
natureza perfeita, perfeito é apenas Deus.
Lado outro podemos vislumbra também o
sentido o sentido das coisas criadas: Tudo o que existe está orientada a um
fim, fim este que está fora da coisa, então qual seria finalidade da história
humana se Deus não existisse? Não haveria sentido!
Outra pista que destacamos é o Transcendental
do Belo[9]: Todos buscamos o mais
belo, o mais perfeito, contudo quem é este ser perfeito que buscamos? De fato é
Deus a nossa inspiração para a busca do Belo, igualmente se diga da Busca da
perfeição: por que buscamos sempre a perfeição se sabemos que não a
alcançaremos, e mais, se vemos que algo não está perfeito logo apontamos um defeito.
Argumentos
Filosóficos da Existência de Deus:
Embora Deus não seja necessitado de
defesa, pois Deus bastasse-se a si mesmo em sua infinita perfeição e bem
aventurança[10],
urge igualmente, por obra de misericórdia espiritual[11], auxiliar por meio da
doutrina e do magistério da Igreja, auxiliado no pensamento dos santos, aos
cristãos de toda época a refletirem sobre a existência de Deus no âmbito da
razão, vez que está junto com a fé formam as asas que nos elevam ao céu.[12]
a) Argumento ontológico de Santo
Anselmo: Por definição Deus é um Ser do qual não se pode
pensar nada maior do que Ele; um ser que existe necessariamente (absoluto)
maior do que um ser que não existe necessariamente (contingente); assim, se
Deus existe na minha mente, mas não existe necessariamente na realidade podemos
imaginar algo que seja maior do que Deus, mas não se pode imaginar algo maior
do que Deus, então se Deus existe na mente como uma idéia, Deus existe
necessariamente na realidade.
b) O argumento noológico de Santo
Agostinho: existe uma
Verdade imutável que julga o pensamento humano.
O argumento se torna de
difícil aceitação na medida em que defronta com o problema do relativismo,
porém o relativista real, em prática, é insustentável!
Se olharmos bem para o
relativismo enquanto sistema filosófico e moral, perceberemos claramente sua
desonestidade, pois quer eximir o ser humano de responsabilidade; é, no fundo,
uma trapaça de quem não quer mudar de vida. As pessoas estão tão fixadas na desonestidade de não querer uma Verdade
que implicaria em uma mudança de opinião, não querem perder a “liberdade”; em outras palavras, no fundo o problema é moral.
c)
Cinco
vias de São Tomás[13]:
01 -
Parte do movimento
(Platão): Nossos sentidos atestam, com toda a certeza, que neste mundo algumas coisas
se movem. Ora, tudo o que se move é movido por outro. “É preciso que tudo o que se move seja movido por outro. Assim, se o que
move é também movido, o é necessariamente por outro, e este por outro ainda.
Ora, não se pode continuar até o infinito [...]. É então necessário chegar a um
primeiro motor, não movido por nenhum outro, e este, todos entendem: Deus”.
02 - Causa e efeito (Aristóteles): é
“aquilo de que provêm a mudança e o movimento das coisas: os pais são a causa
eficiente dos filhos, a vontade é a causa eficiente das várias ações do homem” “Se não existisse a primeira
entre as causas eficientes, não haveria a última nem a intermediária. Mas se
tivéssemos de continuar até o infinito na série das causas eficientes, não
haveria causa primeira; assim sendo, não haveria efeito último, nem causa
eficiente intermediária, o que é evidentemente falso. Logo, é necessário
afirmar uma causa eficiente primeira, a que todos chamam Deus”.
03 - A questão do possível e do necessário: tudo que poderia não existir um dia não existiu: “Se
tudo pode não ser, houve um momento em que nada havia. Ora, se isso é
verdadeiro, ainda agora nada existiria; pois o que não é só passa a ser por
intermédio de algo que já é. Por conseguinte, se não houve ente algum, foi
impossível que algo começasse a existir; logo, hoje, nada existiria: o que é
falso. Assim, nem todos os entes são possíveis, mas é preciso que algo seja
necessário entre as coisas”.
04 –
Causa eficiente: tudo foi causado
por algo, por exemplo os pais são a causa dos filhos, se ocorre um acidente
logo queremos saber a causa, e no início, qual foi a primeira causa eficiente?
Deus
05 –
Finalidade de tudo - inteligência
nas coisas. Tudo caminha para uma finalidade, para uma perfeição, logo a
perfeição deve existir. Buscamos a felicidade plena que não está disponível
nesse mundo. Somos insatisfeitos por natureza. Seria então o ser humano um
animal defeituoso?
A
ordem cosmológica do universo. “Sem Deus o universo não explicável
satisfatoriamente” Albert Einstein.
Podemos
destacar ainda a confiança com que vivemos: Sabemos que nossa vida pode acabar
a qualquer instante e nem por isso nos desesperamos.
O
que significa ter um Deus?
Ponto chave para o raciocínio é que se alguém
me pensou então eu sou feito para Ele, Ele sabe como eu sou! Eu não sou Deus e
nossa vida deve ser uma resposta a Deus.
Porém
reconhecer que não somos Deus é duro e até mesmo Martinho Lutero é capaz de
reconhecer essa debilidade: “O homem,
pela sua natureza [decaída!], não pode querer que Deus seja Deus, mas ao
contrário, o homem desejaria ele mesmo ser deus e que Deus não fosse Deus”
E
qual deve ser nossa posição diante de Deus? Apresento-me como criatura ou quero
eu construir Deus à minha imagem e semelhança? Qual a imagem que tenho de Deus?
Faço as coisas buscando uma recompensa?
Não
devemos ser nem mercenário que faz as coisas pela recompensa, nem escravo que
faz as coisas por medo de ser castigado, mas sim como um filho de Deus, que faz as tudo a fim de corresponder ao Amor que Deus
já demonstrou por nós, Deus é Amor!
Deus
revela o homem ao próprio homem e o que ele deve fazer ou não fazer para se
realizar como o ser humano. O amor é a recompensa de amar; O mal é a recompensa
do mal, não é preciso castigo para quem bebe veneno, pois o próprio veneno já é
nocivo o bastante, quem opta por não amar vive em constante sofrimento.
Deus
criou o mundo e o cria e sustenta a todo instante.[14] Embutiu no coração humano
um desejo de felicidade que só é saciado pelo próprio Deus, pois é um desejo da
Felicidade de Deus, e que só alcançaremos em plenitude na bem aventurança do
Céu.[15]
O Ateísmo Hoje:
Todavia,
a grande sacada do ateísmo moderno não consiste tanto na negação da realidade.
Consiste, pelo contrário, na dissolução de Deus nesta mesma realidade. É o que
faz Hegel com o panteísmo, afirmando que tudo é Deus. Trata-se de um ateísmo
chique. O materialismo, ao contrário do que muitos pensam, não é radicalmente
ateu. Ele é radicalmente materialista, isto é, apegado à matéria. Ele pode crer
em Deus, ele pode cultuar divindades pagãs, pagar promessas, tomar chá de Bach
etc. Mas desde que essas coisas não lhe impeçam de se auto-satisfazer.
O grande deus deste século é a vontade,
é o EU.
Entre a verdade e a liberdade o mundo pós-revolução francesa tende a
optar pela liberdade, contudo Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará[16].
Precisamos buscar a verdade! A liberdade humana é sempre limitada, e é a
verdade que nos liberta!
Porque Deus se esconde?
O
fato de Deus se esconder é a condição da possibilidade de nossa liberdade, Deus
não nos quer marionetes, Ele quer que livremente o busquemos e o amemos, e Ele
se torna disponível a nós pela graça.
[1]
Eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos – Mt. 10,16
[2] 1
João 4,16
[3] NIETZCHE, F. – em Assim Falou Zaratustra
[4]
Vivemos na época da ditadura do
relativismo, como afirma o Papa Bento XVI, entre outras ocasiões em homilia
pronunciada na Missa Pro Eligendo Pontífice, celebrada no dia 18 de abril de
2005, ainda como Cardel: “Todos os dias nascem novas seitas e cumpre-se assim o
que São Paulo disse sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a
induzir ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é
freqüentemente catalogado como fundamentalismo, ao passo que o relativismo,
isto é, o deixar-se levar ao sabor de qualquer vento de doutrina,
aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo
uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que usa
como critério último apenas o próprio “eu” e os seus apetites.”
[5] Catecismo da Igreja Católica nº 27
[6]
“Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno
poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo
que não se podem escusar. Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como
Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos
pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato. Pretendendo-se sábios,
tornaram-se loucos” Romanos 1 19-22
[7]
Pecado de Adão e Eva, ou seja, a desobediência inicial, chamada também de
condição pós-lapsária, A condição pós-lapsária é a condição do homem após
o pecado. Cristo não tinha pecado em si, por ser Deus, mas assumiu uma
humanidade que carregava nela as conseqüências do pecado, como a mortalidade,
por exemplo. Gêneses 3.
[8] Catecismo
da Igreja Católica nº 31 e seguintes
[9]
Catecismo da Igreja Católica nº 33
[10] Catecismo
da Igreja Católica nº 01
[11] Obras
de misericórdia espirituais Ensinar os ignorantes
[12]
A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas
quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem
colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última
análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar
também à verdade plena sobre si próprio (cf. Ex 33, 18; Sal 2726,
8-9; 6362, 2-3; Jo 14, 8; 1 Jo 3, 2). CARTA
ENCÍCLICA FIDES ET RATIO DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II.
[13]
Santo Tomás de Aquino; Suma Teológica.
[14] Catecismo
da Igreja Católica nº 301
[15] Catecismo
da Igreja Católica nº 1718, 1721, 1725.
[16] João
8, 32
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