Amados, com grande tristeza nos deparamos por vezes
com está triste realidade do suicídio, pessoas que pelas mais variadas razões
tiram a própria vida; e como cristãos sempre nos surge o questionamento: O suicida pode se salvar? Tal
pergunta merece reflexão.
Por um lado sabemos que Deus é Amor[1], rico em misericórdia[2] e que não deseja perdição
de ninguém[3], portanto, mesmo diante da
morte trágica não devemos nos desesperar da salvação daquela alma, conforme nos
ensina a Igreja:
CIC - Catecismo da Igreja Católica nº 2283. Não se deve desesperar da salvação eterna
das pessoas que se suicidaram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece,
oferecer-lhes a ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas
pessoas que atentaram contra a própria vida.
Sabemos também que o suicida muitas vezes encontra-se
envolvidos por circunstâncias diversas, seja por questões de saúde, física ou
psicológicas que conforme ensina a Igreja podem de certo modo “diminuir” sua responsabilidade (CIC
2282).
Portanto, podemos dizer que sim, é possível que alguém que tenha cometido suicídio se salve.
Contudo nosso coração inquieto nos leva a uma segunda
pergunta: É provável que alguém que
tenha se suicidado se salve?
De fato Deus oferece a todos a salvação de modo gratuito
e por pura benevolência; de nós pede apenas a fé: Que creiamos em Cristo[4], enviado do Pai que
reconciliou o mundo consigo[5] e crendo Nele façamos em
nossa vida obras semelhantes às de Cristo cumprindo seus mandamentos.
Para alcançarmos a
salvação precisamos livremente escolher amar a Deus e estar unido a Ele, está
união que se inicia nesta vida se plenificará no céu,[6] sendo de fato o único
obstáculo para nossa salvação o nosso livre arbítrio, ou seja, apenas nós
mesmos podemos “escolher” a perdição eterna.
CIC 1033. Não
podemos estar em união com Deus se não escolhermos livremente amá-Lo. Mas não
podemos amar a Deus se pecarmos gravemente contra Ele, contra o nosso próximo
ou contra nós mesmos: «Quem não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia o
seu irmão é um homicida: ora vós sabeis que nenhum homicida tem em si a vida
eterna» (1 Jo 3, 14-15). Nosso Senhor adverte-nos de que seremos
separados d'Ele, se descurarmos as necessidades graves dos pobres e dos
pequeninos seus irmãos (629). Morrer em
pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso
de Deus, significa permanecer separado d'Ele para sempre, por nossa própria
livre escolha. E é este estado de auto exclusão definitiva da comunhão com
Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno».
Ora, o requisito para se ir para o inferno, ou seja,
perder a salvação é “Morrer em pecado
mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus,
significa permanecer separado d'Ele para sempre, por nossa própria livre
escolha.”
Do ensinamento da Igreja podemos nos deparar com critérios,
objeto e subjetivos que determinam a perdição eterna de uma alma:
Objetivo: Morrer em pecado mortal:
O suicídio é um homicídio premeditado e nenhum homicida
tem a vida eterna presente nele[7] Nós somos administradores
e não proprietários da vida que Deus nos confiou; não podemos dispor dela.[8] O suicídio é gravemente contrário ao justo
amor de si mesmo.[9]
Além disso ato
em si geralmente está repleto de soberba
em que o suicida, movido por um amor
desordenado da nossa própria excelência, não compreendendo sua miséria e
fragilidade humana não aceita passar as humilhações que a vida lhe reserva,
muitas talvez consequências de seus próprios erros.
É também um ato de desespero de quem não confia em Deus e em seu auxílio;
É ainda um ato egoísta
de quem acredita que ao pôr fim a própria vida resolve seus problemas, contudo,
esquece-se dos que estão à sua volta, de sua família, e dos que os ama.
Pode ser ainda um ato
de covardia de quem não quer sofrer, seja dores físicas ou emocionais,
e portanto, para este, o sofrimento de Cristo nada significa.
Alguém poderia alegar ainda que o suicida teria caído
tentação, contudo nos diz São Paulo: "Não vos sobreveio tentação alguma
que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais
tentados além das vossas forças, mas com a tentação, ele vos dará os meios de
suportá-la e sairdes dela."[10] Logo tal argumento não
procede, Deus não permite tentação superior às nossas forças.
Há ainda outras nuances contudo, resta claro que o
suicídio, portanto, é PECADO MORTAL capaz
por si só de levar quem o comete para o inferno.
Subjetivos:
Morrer sem arrependimento e sem dar acolhimento ao
amor misericordioso de Deus
Por trata-se de critérios subjetivos o julgamento cabe
exclusivamente a Deus, pois apenas Ele conhece o coração humano[11]
De fato, é possível que o suicida se arrependa
contudo, trata-se aqui do arrependimento ocorrido entre o início da execução e
consumação do ato, em geral um breve momento, pois se o arrependimento for
anterior ao início do ato o suicídio não teria ocorrido.
Arrepender-se e acolher o amor de Deus significa uma
decisão intima e que, portanto, não pode ser aferida por nós; aí reside nossa
esperança, embora seja razoável perceber que tal fato deva ser raro. Ora, em
plena execução do homicídio (contra si mesmo) haveria tempo para o suicida
arrepender-se e, num ato de contrição perfeito pedir perdão a Deus e acolher
seu amor? De fato, a graça divina nos acompanha a todo instante, contudo,
poderia alguém que a desprezou por completo acolhe-la já em tal situação?
Por fim, a posição
que se firma é a de que É POSSÍVEL que alguém que tenha se suicidado se salve,
porém, é IMPROVÁVEL.
[1]
I João 4, 8
[2]
Efésios 2, 4
[3]
Sabedoria 1, 13
[4] Marcos
16, 16
[5] 2Cor
5,19
[6]
Catecismo da Igreja Católica 1.023 e 1.024.
[7]
I João 3,15
[8]
CIC nº 2280
[9]
CIC nº 2281
[10]
I Coríntios, 10, 13
[11]
I Samuel 16,7

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